A cachaça secou!

Atualizado: 30 de set. de 2020

No Piauí temos uma marca de cachaça muito famosa, Mangueira, que muitos apreciam e ficam preocupados quando a garrafa seca.


Muitas vezes se consome à sombra de árvores frutíferas, como a de mesmo nome que a marca do destilado cristalino, retirando o tira gosto direto da fonte, na safra da fruta.


Hoje, porém, não iremos falar dessa pinga e nem dos perigos do seu consumo excessivo, e sim de uma doença que ataca o “pé de manga”, popularmente conhecida como Seca da Mangueira ou Mal-do-Recife.


É uma das mais graves doenças dessa planta, podendo atacar tanto na fase jovem quanto na adulta. Inicia-se através de um besouro chamado Hypocryphalus mangiferae (broca-da-mangueira), o qual ao se alimentar da árvore e deixar seu ovo na “ferida”, traz com ele um fungo, o Ceratocystis fimbriata, que vai “comendo” a mangueira por dentro, como se fosse um tira-gosto após uma lapada de cana.


A doença se caracteriza pela seca lenta dos galhos, consumindo a mesma até a seca total... Age silenciosamente, como um câncer.



Com o passar dos dias, a infecção vai tomando conta dos vasos dentro da planta, em direção ao tronco principal. Este, uma vez contaminado, determina o falecimento, igual ao que se dá pelo uso excessivo do aperitivo. Então, beba com moderação!


Mesmo com a existência de mangueiras resistentes ao fungo, o melhor a ser feito é “cortar o mal pela raiz”. Identificar os galhos secos, cortar o mais próximo possível do tronco principal e queimar a parte atacada no local mesmo. Assim, você quebra o ciclo da praga, impedindo que a larva que esteja dentro do galho vire adulto, se multiplique e infecte outros galhos ou mangueiras. Passe sempre algum produto protetivo à base de cobre no local do corte para prevenir o surgimento de outras doenças.


Feito isto, teremos garantido o “tira-gosto” natural, à sombra deliciosa que protege a roda de conversa e o sono dos justos ao fim da bebedeira “moderada”.


*Paulo Melo Segundo é engenheiro agrônomo pela UFRPE, Fiscal Estadual Agropecuário na Adapi e escritor agrodivertido, criando assim o Segundo Agro, um portal de informação simples, direta e humorada.

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