Agroterrorismo: do ato inocente ao caos plantado.

Atualizado: 3 de out. de 2020

Agroterrorismo?! Espere aí, isso existe?!


Sim, existe sim e não pense que é aquele ato que seu irmão faz com você lhe abraçando e soltando aquele gás que queima as narinas, sufocante, ao som das trombetas do apocalipse depois de passar o dia todo se empanturrando de way protein com batata doce e ovo.


Pense assim, lembra do pessoal que lá pelas bandas das arábias sai de casa com um mói de dinamite no corpo e detona no meio do povo aos gritos de Alá, matando muita gente inocente que está por perto?! Esse cara, certamente não está com sua mente num estado, digamos, bom! Mas faz de caso pensado, premeditado, com o sonho de um céu cheio de virgens e tal…


O agroterrorismo é similar no caso pensado, muitas vezes, e nas mortes que causam ou que podem causar e mais ainda nos prejuízos no mercado financeiro.

Agora, o que mais vai lhe chamar atenção! Você já foi um agroterrorista, ou está sendo, mas não será mais depois de ler isso, espero eu.


Mas como assim?! Eu, terrorista? Sim amigo e eu já fui também, minha avó, amigos de trabalho… isso é muito comum entre nós…


Voltemos ao passado ou a sua última viagem, aquela visita ao sítio daquele amigo no Pará, com aquele pé de carambola fenomenal (eu gosto de carambola, mas…), você saboreia a fruta e leva uma muda (a planta jovem, não precisa aprender libras, ok?!) para dar de presente a sua mãe. Pronto, já cometeu um ato terrorista “inocente”, pois ela pode estar levando, como exemplo, uma praga de extrema importância para a fruticultura, a mosca da carambola, e causar um caos pior que um homem bomba, que pode atingir milhares de pessoas e abalar um setor de forma similar a uma bomba de Hiroshima. Como?!


Já falei em outro portal, rapidamente, sobre mosca da carambola (https://www.casteloagora.com.br/adapi-participa-de-treinamento-sobre-mosca-da-carambola/) e ela é uma praga que tem controle oficial para impedir que se espalhe e chegue ao Vale do São Francisco, polo fruticultor de suma importância no Brasil, onde, se essa mosca chegar pode provocar de suicídio a quebra de grandes empresas, pelo fechamento de mercado exportador, gerando um caos no mercado de trabalho local, entre outros problemas.


Para se evitar isso, existem as agências de fiscalização agropecuária dos estados e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com seus auditores, fiscais e técnicos, realizando vistorias e fiscalizações nas barreiras entre os estados, portos, aeroportos, rodociárias, exigindo documentos fiscais que comprovam a sanidade e qualidade das frutas e mudas, com a apresentação de PTV, CFO, CFOC ou outro documento, mesmo para uma única planta, no transporte nacional ou internacional ou até proibindo esse transporte para a segurança nacional.

Mas como assim?! Eu, terrorista? Sim amigo e eu já fui também, minha avó, amigos de trabalho… isso é muito comum entre nós…

Aquelas sementes que sempre sobram depois de detonar uma fruta também são um perigo se jogadas fora, pela janela, no mato, principalmente se ela for de uma fruta exótica (de fora), pois elas podem funcionar como bombas relógios, de difícil identificação e com potência de devastação infinitamente maior que aquelas que fazíamos no banheiro da escola com cigarro e bombinha de São João.


A falta de conhecimento da população sobre esse assunto e obrigação desses documentos é que dificulta ainda mais nosso serviço, pois temos mais “agroterroristas” que o oriente médio todo, realizando esse tipo de transporte de plantas, frutas e sementes constantemente, inocentemente. E essa falta de informação é até entre nós do meio rural também.


Mas existem os agroterroristas de carteirinha, que já trouxeram prejuízos enormes ao setor agropecuário do Brasil, maiores até que o emocional na derrota do Brasil para a Alemanha  por 7×1 na copa… que dia àquele… mas, voltemos a programação normal.


Talvez o caso mais emblemático aqui tenha sido o da vassoura de bruxa, no final dos anos 80, mais detalhado nesse site: http://www.defesanet.com.br/dqbrn/noticia/20725/, onde pessoas com ligação política e trabalhadores da Caplac (órgão do Ministério da agricultura responsável pelo cacau) introduziram uma praga limitada ao Amazonas, na Bahia por questões politicas, dinheiro e poder, causando um prejuízo que se senti até hoje. Pois é amigo, agroterorismo puramente tupiniquim, absurdo.


O Brasil é tido como uma ameaça a várias potências mundiais devido a sua natural capacidade de produção, levando a máxima aquele ditado que diz: Aqui, se plantando tudo dá. Juntamente com sua dimensão praticamente continental que colabora para a falta de controle para atos desse tipo, que visão minar nosso crescimento.


Existem outras histórias não oficias no meio rural que envolvem soja, algodão e outras culturas, que demonstram o quanto isso é comum e tem efeitos muitos trágicos, que nada remetem ao repolho com ovo cozido que o termo agroterrorismo pode remeter.


O recado aqui consiste em termos muito cuidado ao levar mudas de plantas, sementes ou derivados vegetais sem o devido conhecimento e sem a documentação necessária, sempre que for exigida, prestar mais atenção, principalmente aos recados dos aeroportos no que se pode trazer na bagagem, e na dúvida sempre procurar a sala do Ministério da Agricultura e no caso do transporte terrestre, a agência agropecuária mais próxima para ter a certeza que você não estará se tornando um personagem daqueles de filmes que apertam um botão vermelho que destrói vidas e até nações irresponsavelmente.


Pense nisso!


*Paulo Melo Segundo é engenheiro agrônomo pela UFRPE, Fiscal Estadual Agropecuário na Adapi e escritor agrodivertido, criando assim o Segundo Agro, um portal de informação simples, direta e humorada.

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