Jetsons Tatu

Atualizado: 30 de set. de 2020


Quem não se lembra do icônico desenho animado americano, criado por William Hanna e Joseph Barbera, dos anos 60, que introduziu no imaginário da maioria das pessoas o que seria o futuro da Humanidade, com uma família que vivia no futuro, 2062, na época muito distante e tecnológico?

Quase na mesma época, no Brasil, Monteiro Lobato criava o que seria o ícone da figura do povo “da roça”, o Jeca Tatu, imortalizado por Mazzaropi.

Isso nos leva a refletir que, no passado, se pensava bastante na modernização das nossas vidas, enquanto o campo era deixado para trás, abandonado. Até parece que comeríamos comida de astronauta, instantânea e rápida (tudo se resumiu aos pratos congelados de micro-ondas e o danado do miojo). Mas, mesmo essas comidas rápidas iguais a coice de préa, têm sua fonte no campo.


Quis o destino e os estudiosos que o campo virasse um verdadeiro laboratório de inovações e a realidade de Hanna-Barbera chegasse a ele.

Quem, em sã consciência, imaginaria um trator ou uma colheitadeira controlada por GPS, onde o operador pudesse interpretar o George Jetson perfeitamente (os equipamentos fazem tudo praticamente sozinhos, assim como os carros do desenho). Crianças e adolescentes da roça podem ajudar na lida do campo com seus drones, imitando Judy e Elroy, e os patrões do agronegócio de hoje em dia, Deus me livre, se parecerem com o Mr. Spacely, com seus gritos de estourar os tímpanos, mas que conseguem acompanhar tudo de qualquer lugar do mundo.


Sistemas de irrigação automáticos, aplicações de agrotóxicos com eletrostática e tratamento de ervas daninhas com choques elétricos parecem coisa de antigamente diante do que se tem hoje, mas que deixariam o Jeca Tatu de queixo caído.

"Quis o destino e os estudiosos que o campo virasse um verdadeiro laboratório de inovações e a realidade de Hanna-Barbera chegasse a ele."

O campo não tem mais espaço para a ignorância que se cultuava no passado. Os tempos são outros e muita tecnologia está embarcada na banana de sua vitamina, no cuscuz do seu café da manhã e até no cafezinho.

O êxodo rural dá vaga ao sentido contrário. A tecnologia e a sobrecarga de trabalho na cidade estão trazendo divisas ao campo. Além do cultivo, o turismo também fazendo com que os filhos dos nativos do campo consigam se fixar com renda e dignidade.

A tecnologia alavanca, a passos largos, a produtividade e a qualidade do que chega à mesa, não somente com maquinário, mas também com

cruzamentos que geram produtos capazes de produzirem mais, em menos tempo e nutricionalmente mais potentes.

Os dois cenários dos anos 60, dos Jetsons e do Jeca Tatu, ainda vão conviver por muito tempo, porém com um formato mais similar ao título, onde o Jeca não largará seu celular antes de conferir a lida programada para o dia e, quem sabe, programar alguma Rosie em casa.


O campo deixou de ser atrasado e está se tornando o futuro dos Jetsons, dia após dia...


*Paulo Melo Segundo é engenheiro agrônomo pela UFRPE, Fiscal Estadual Agropecuário na Adapi e escritor agrodivertido, criando assim o Segundo Agro, um portal de informação simples, direta e humorada.

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